Empresas estão sofrendo para ajustar suas equipes — mas por quê? Na minha opinião, o problema não está apenas na economia ou nas demissões em massa que se tornaram frequentes. O verdadeiro desafio está na dificuldade de entender o que realmente motiva as pessoas de alto nível.
Quando falo de pessoas de alto nível, não me refiro apenas a quem tem cargos importantes ou anos de experiência. Estou falando de profissionais que gostam do que fazem, que estudam constantemente, que se dedicam muitas vezes por muito mais horas do que o exigido, movidos por curiosidade e propósito.
O problema das estruturas tradicionais
Se você pensar na teoria básica, empresas são times de pessoas que competem com outros times. E a mistura para o sucesso é extremamente complexa. Ainda assim, o que vemos são empresas fazendo layoffs e tentando copiar o modelo “enxuto” das startups — mas sem entender o que realmente faz uma startup funcionar: liberdade, propósito e velocidade.
Pessoas de alto nível não gostam de burocracia. Elas gostam de liberdade para criar, desenvolver e falar o que pensam. Não se sentem à vontade em estruturas onde há mais camadas de gestão do que de execução. E muito menos quando precisam pedir autorização para cada pequena decisão.
Atrair e reter pessoas de alto nível exige muito mais do que dinheiro. Elas buscam ambientes que confiam nelas, que dão espaço para errar, aprender e crescer. Startups e empresas com mentalidade moderna costumam oferecer isso: menos regras, mais autonomia.
O que realmente motiva os talentos de alto nível
Muitas organizações ainda acreditam que basta adotar metodologias ágeis, colocar pufes coloridos no escritório e criar squads com nomes criativos. Mas a verdade é que o que atrai e mantém talentos excepcionais é algo mais profundo: propósito e confiança.
Essas pessoas querem saber por que estão fazendo algo, qual impacto o trabalho delas gera e como podem contribuir nas decisões. Não aceitam ser apenas executores de ordens vindas de um gerente que mede produtividade em planilhas e relatórios intermináveis.
Empresas hierárquicas demais acabam perdendo talentos valiosos porque a distância entre quem pensa e quem executa é enorme. Já as organizações que funcionam como startups, mesmo em grande escala, criam ambientes de autonomia, clareza e velocidade.
Pessoas de alto nível não precisam ser gerenciadas, precisam de liderança inspiradora e direção clara.
O papel do líder é remover obstáculos, abrir caminhos e criar condições para que as ideias floresçam — e não microgerenciar cada detalhe.
No fim das contas
O que mantém essas pessoas engajadas é simples:
- Desafios reais, que estimulem aprendizado e impacto.
- Liberdade com responsabilidade, para criar e experimentar.
- Reconhecimento e propósito, mais do que bônus e títulos.
As empresas que entenderem isso vão se tornar imãs de talentos e construir equipes de alta performance. As que não entenderem… vão continuar contratando, demitindo e se perguntando por que nunca conseguem manter os melhores por muito tempo.
